Fisioterapia para cães vale a pena?

O antigo conselho “com saúde não se brinca” pode — e deve — ser aplicado também aos pets. Tratamentos já bem populares entre os humanos chegam ao mundo animal com promessa de eficiência.  É o caso da fisioterapia. Indicada para tratar problemas ortopédicos, neurológicos ou articulares, ela pode ser realizada com atividades que vão desde alongamentos e exercícios até terapia com luzes e lasers, dependendo do tipo de desconforto do bicho.

A fisioterapia é um tratamento novo na área da saúde dos pets, mas os resultados já têm aparecido e mostrado a importância desse cuidado, que pode mudar a vida dos animais e de seus tutores. Esse é o caso da Luna, a yorkshire terrier que sofria com luxações constantes na patela, e da nutricionista Gabriella Costa, 28, que tem a fiel mascote a seu lado há três anos. O primeiro incômodo da cadela apareceu em uma brincadeira no parque, quando ela pisou em falso em um buraco. “Como a grama estava alta, tampava os desníveis. Ela acabou caindo em um deles quando brincava de bola. De imediato, começou a levantar a patinha e a mancar”, lembra Gabriella.
A indicação do ortopedista foi que esperasse uma piora para, só aí, operar. Mas as dores de Luna também machucaram a dona, que pesquisou soluções para proporcionar bem-estar à yorkshire. Assim, descobriu o trabalho de fortalecimento da fisioterapia. O problema de Luna é um dos mais comuns no tratamento fisioterápico para animais. Ao lado da hérnia de disco, a luxação patelar está entre as patologias mais atendidas nas clínicas veterinárias, principalmente por conta da melhora significativa dos pets que costumam passar por essa reabilitação.
Para Gabriella, a rotina de duas sessões semanais de exercícios clínicos permite uma evolução prazerosa: “A melhora foi de 100%, porque a Luna tinha quadros repetidos, a patela saia do lugar com qualquer corrida. Hoje, essas crises estão cada vez menores. Ela apronta, corre, pula do sofá e não se machuca mais.”

Trabalho árduo

A recuperação foi possível devido a uma série de estudos que uniram os conhecimentos da fisioterapia e da zoologia, mas só pode ser realizada por um médico veterinário, como Lívia Borges, que atua na área há 10 anos. A especialista da clínica FisioLife ressalta: “Qualquer tratamento em animal deve ser feito por um médico veterinário, seja acupuntura, seja homeopatia ou qualquer outro”.
Lívia também explica outros casos em que o método pode ser a solução de incômodo: dores e doenças. “A fisioterapia veterinária é usada tanto para recuperar um animal pós-cirúrgico como para dar qualidade de vida, tentar tratar, recuperar, evitar ou prorrogar uma cirurgia, fortalecer a musculatura e diminuir inflamações, por exemplo”, esclarece. Quem se encaixa na maioria desses casos é Verinha, a shih-tzu de aproximadamente 1 ano, que foi resgatada em um canil do Recanto das Emas com várias deformações genéticas.
O resgate, feito pela professora Izabela Cintra, foi o começo de uma grande transformação na rotina da professora e do marido, Ricardo Alexandre, o mecânico que ajuda a esposa nesse trabalho com os animais há seis anos. Desde setembro do ano passado, o casal cortou as viagens e mudou hábitos cotidianos para dar a Verinha as melhores condições de vida possíveis diante de suas doenças, como o tratamento fisioterapêutico indicado pelo veterinário.
A lista de patologias da pet é longa: hidrocefalia, luxação de patela, luxação de fêmur, ausência de duas vértebras na coluna, sacralização da última vértebra lombar e incontinências urinária e fecal. Mas, se por um lado, Izabela se cansa depois de repetir todas as doenças, por outro, o fôlego para garantir que Verinha sofra o menos possível é enorme: “Já me perguntaram se não era mais fácil fazer uma eutanásia nela. Mas isso nunca passou pela cabeça da gente”, relatou.
A cachorrinha está na trigésima sessão de fisioterapia, tratamento que faz uma vez por semana, desde os primeiros dias emque chegou ao lar do casal. Para a professora que fez o resgate, os resultados foram rápidos e significativos: “Quando ela chegou à minha casa, dava três passinhos e parava. Com a fisioterapia foi impressionante. Depois de três sessões, já corria no corredor. Sem a fisioterapia, a gente não teria visto esse progresso todo”, conta Izabela.
Verinha tem atendimentos domiciliares, que explica que as complicações da pet podem ter sido resultado de um cruzamento entre os pais. Laís faz uma série de trabalhos com a pet, que descansa enquanto recebe o tratamento fisioterápico: “Ela faz eletroterapia, fototerapia e magnetoterapia e cinesioterapia”. Ela relembra a evolução desde os primeiros dias com Verinha: “O uso contínuo da fisioterapia ajudou muito no tratamento para dor sem precisar tomar remédio. Antes, não conseguia nem dobrar a pata direita. Com os exercícios, não só dobra como anda mais e melhor do que quando foi resgatada”, analisa a veterinária.
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