GIÁRDIA OU GIARDÍASE EM ANIMAIS DE COMPANHIA

Giárdia em cães ou giardíase é uma doença bem rotineira em cães e você que tem um animalzinho provavelmente já se preocupou com essa verminose, que se trata de uma das principais doenças intestinais nos cães. O Hospital Veterinário Saúde preparou um artigo para ajudar a conhecer sobre esse parasita.

Por ser um parasita facilmente transmitido, os seres vivos mais vulneráveis são os mais jovens devido ao fraco sistema imunitário que apresentam. Assim sendo, as crianças e os animais jovens são os mais afetados.

Apresentação do protozoário

Este protozoário pode apresentar-se fisicamente de duas formas diferentes, sob a forma de trofozoítos ou sob a forma de cistos. Esta diferenciação física tem a ver com o seu ciclo de vida.

Trofozoítos

Os trofozoítos são parasitas microscópicos com cerca de 12 a 18 micrômetros de comprimento e 10 a 12 micrômetros de largura. Têm a forma de uma pera ou lágrima, e são móveis devido aos flagelos (semelhante a cílios ou pelos) que apresentam em várias partes do seu corpo.
São simétricos e fazem reprodução assexuada por divisão binária longitudinal, ou seja, não necessitam de dois sexos diferentes para se procriarem dificultando o seu controlo “populacional”.

Normalmente, é esta forma que provoca doença intestinal no animal e no ser humano. Este microrganismo está preparado fisicamente com proteínas de adesão que lhe permitem agarrar-se à mucosa (“parede” interior) intestinal não sendo arrastados pelo bolo alimentar.
Os trofozoítos que não ficam aderidos à mucosa intestinal formam-se novamente em cistos e são eliminados nas fezes. Pode acontecer de saírem nas fezes alguns trofozoítos que serão rapidamente eliminados do meio ambiente pelas condições atmosféricas adversas devido à fragilidade que estes apresentam.

Cistos

Os cistos são capsulados, ovais ou elípticos, sem motilidade ou capacidade de se moverem e têm aproximadamente 8 a 12 micrômetros e 7 a 10 micrômetros de dimensão.
É devido a esta cápsula que são resistentes às condições meteorológicas adversas permanecendo no meio ambiente durante meses.
É também esta forma que vai infestar os mamíferos ao ingerirem alimentos contaminados ou ao beberem as águas contaminadas onde eles se encontram, tais como, em lagos, ribeiras, fontes ou poças de água.

Onde se encontra?

Este parasita encontra-se no intestino delgado sendo o duodeno o local de eleição.
Esta patologia pode permanecer assintomática (sem sintomas/sinais clínicos) durante muito tempo permitindo ao parasita proliferar no trato digestivo e causar mais lesões, uma vez que passa despercebida.

Sinais clínicos

Ao aderir à mucosa intestinal o parasita vai destruir as microvilosidades (estruturas que permitem mais contato com o bolo alimentar e permitem maior absorção de nutrientes) intestinais e vai fazer o efeito de tapete/barreira impedindo a absorção de líquidos e nutrientes pelo intestino. Esta alteração resultará em diarreias e desnutrição.

Estas diarreias são líquidas de cor amarelada, espumosas, gordurosas (pelo défice de digestão das gorduras), com odor desagradável e forte, e, geralmente, aparecem na fase inicial da doença.
Para além da diarreia podem ocorrer mais sintomas/sinais clínicos, tais como: dor abdominal, náuseas, vômitos (ocasionais) e flatulência. A diarreia pode ter muco não tendo sangue ou secreção purulenta (pus) e pode ocorrer temporariamente, de forma intermitente ou de forma crônica.

Uma vez não sendo tratada, esta doença terá um carácter recorrente podendo levar a anorexia, com perda de peso e deficiências em vitaminas por causa da má absorção.
Erroneamente pode acontecer a giardia ir para a vesícula biliar e esta ficar parasitada e causar cólicas abdominais ou icterícia (cor amarela da pele em mucosas).

Diagnóstico

O diagnóstico pode ser feito através da avaliação fecal com vários testes.
Porque os cistos se apresentam em pequenas quantidades e são excretados de forma intermitente na fase crônica da doença, o diagnóstico torna-se difícil e, por isso, têm-se desenvolvido vários testes laboratoriais.
Um dos testes mais simples é o exame direto, seguido pelo teste de flutuação fecal através de centrifugação, ELISA fecal ou ensaio de imunofluorescência direta.

Tratamento

É realizado com antibióticos específicos, antiparasitários e com medicações para os sintomas apresentado.
Após o tratamento, independentemente do escolhido, devemos fazer novamente pesquisa através do exame fecal com centrifugação para avaliar o sucesso da terapia.

Prevenção

Dando banho aos animais regularmente para eliminar os resíduos de fezes que possam ficar no pelo do animal com quistos e recolhendo as fezes que o animal faz, colocando-as no lixo comum. Com antiparasitários.
As superfícies devem ser limpas com desinfetantes disponíveis comercialmente ou com limpeza a vapor. Os produtos desinfetantes devem atuar entre 5 a 20 minutos. Estas superfícies devem secar completamente após a limpeza.

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