Transfusão Sanguínea em Cães: Quando a Vida Depende de uma Bolsa de Sangue

A transfusão sanguínea em cães é um procedimento vital que pode salvar a vida de animais em estado crítico. Assim como nos seres humanos, os cães podem precisar de uma transfusão em diversas situações, como hemorragias intensas, doenças que causam anemia severa ou problemas na coagulação. No entanto, há muitas peculiaridades envolvidas nesse processo, desde a compatibilidade sanguínea até os cuidados pós-transfusão.

Se você tem um cão ou trabalha com animais, entender como funciona a transfusão de sangue pode ser essencial para garantir o melhor tratamento em uma emergência.

Quando um Cão Precisa de uma Transfusão de Sangue?

Os cães podem precisar de uma transfusão sanguínea por diversos motivos, sendo os mais comuns:

  • Anemia grave: Causada por doenças crônicas, hemorragias ou destruição das células vermelhas do sangue (como na babesiose).
  • Traumas e cirurgias: Hemorragias severas após acidentes ou procedimentos cirúrgicos podem necessitar de reposição sanguínea.
  • Doenças autoimunes: Algumas condições fazem com que o próprio organismo destrua os glóbulos vermelhos.
  • Envenenamento: Intoxicações, como aquelas causadas por veneno de rato (anticoagulantes), podem levar a hemorragias severas.
  • Distúrbios da coagulação: Algumas doenças impedem a coagulação adequada do sangue, tornando a transfusão necessária.

O veterinário avalia a necessidade da transfusão com base nos sintomas do cão, exames laboratoriais e a gravidade do quadro clínico.

Tipos de Transfusão Sanguínea em Cães

Dependendo da necessidade do paciente, diferentes componentes do sangue podem ser utilizados na transfusão:

  • Sangue total: Contém todos os componentes do sangue (glóbulos vermelhos, plaquetas, plasma, proteínas), sendo útil para casos de hemorragia intensa.
  • Concentrado de hemácias: Rico em glóbulos vermelhos, é indicado para cães com anemia severa.
  • Plasma fresco congelado: Contém fatores de coagulação e proteínas do sangue, sendo indicado para distúrbios de coagulação e algumas intoxicações.
  • Concentrado de plaquetas: Usado em cães com doenças que afetam a coagulação sanguínea.

A escolha do tipo de transfusão depende da condição do animal e da disponibilidade dos componentes sanguíneos.

Grupos Sanguíneos Caninos e Compatibilidade

Diferente dos humanos, que possuem o sistema ABO, os cães têm um sistema de grupos sanguíneos chamado DEA (Dog Erythrocyte Antigen), que inclui vários tipos, como DEA 1.1, DEA 1.2, DEA 3, DEA 4, DEA 5 e DEA 7.

O grupo DEA 1.1 é o mais importante na compatibilidade sanguínea, sendo fundamental realizar testes antes da transfusão para evitar reações adversas.

  • Cães DEA 1.1 positivos podem receber sangue de doadores positivos ou negativos.
  • Cães DEA 1.1 negativos devem, preferencialmente, receber sangue de doadores negativos para evitar reações futuras.

Na primeira transfusão, a reação transfusional é menos comum, mas se um cão receber um tipo incompatível, ele pode desenvolver anticorpos que causarão problemas em transfusões futuras. Por isso, testes de compatibilidade são essenciais.

O Processo da Transfusão Sanguínea

A transfusão sanguínea segue algumas etapas importantes:

  1. Coleta do sangue do doador – O sangue é coletado de um cão saudável, geralmente em bancos de sangue veterinários ou de cães voluntários.
  2. Testes de compatibilidade – Antes da transfusão, um teste de tipagem sanguínea e provas cruzadas são feitos para garantir a compatibilidade.
  3. Administração do sangue – O sangue ou componente selecionado é infundido lentamente na veia do paciente, sob monitoramento rigoroso.
  4. Acompanhamento pós-transfusão – O cão é monitorado por possíveis reações adversas, como febre, vômitos, tremores ou dificuldade respiratória.

O procedimento pode durar de 1 a 4 horas, dependendo da quantidade de sangue administrada e da resposta do paciente.

Quem Pode Ser um Doador de Sangue?

Nem todo cão pode ser um doador de sangue. Para doar, o cão deve atender a alguns critérios:

  • Ser saudável e não ter doenças infecciosas.
  • Pesar pelo menos 25 kg (para garantir uma coleta segura).
  • Ter entre 1 e 8 anos de idade.
  • Estar com a vacinação e vermifugação em dia.
  • Não estar em uso de medicamentos que possam afetar a qualidade do sangue.

Os cães doadores são fundamentais para salvar vidas, e muitas clínicas veterinárias e bancos de sangue aceitam novos doadores voluntários.

Riscos e Benefícios da Transfusão Sanguínea

A transfusão sanguínea pode ser a única chance de sobrevivência para cães em estado grave, mas como qualquer procedimento médico, apresenta riscos. Algumas complicações incluem:

  • Reações alérgicas: Coceira, febre e dificuldade respiratória.
  • Reação hemolítica: Se houver incompatibilidade, os glóbulos vermelhos do sangue transfundido podem ser destruídos rapidamente.
  • Sobrecarga circulatória: Se a transfusão for muito rápida, pode sobrecarregar o coração e os pulmões.

Por isso, a transfusão deve ser sempre realizada sob supervisão veterinária, garantindo segurança ao paciente.

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